Uma perspectiva de nível C sobre a Indústria 5.0
Equilibrando o hoje e o amanhã na manufatura digital
Para que a Europa cumpra suas metas climáticas, precisa descarbonizar seu setor manufatureiro. Aproximadamente 12% das emissões de gases de efeito estufa do território provêm de atividades manufatureiras. A eletrificação e a descarbonização da produção de calor estão entre as soluções mais mencionadas, mas as tecnologias digitais também podem ajudar fábricas verdes, melhorando o desempenho do setor como um todo.
IEm uma fábrica, ferramentas digitais direcionadas e bem orquestradas podem reduzir o consumo de energia e ajudar a reduzir a necessidade de materiais, o que resulta em menos desperdício. Elas também podem ter um impacto positivo na descarga de poluentes.
No mínimo, os cinco caminhos descritos aqui merecem uma análise mais detalhada para aproveitar todo o seu potencial.
Comecemos pela simulação digital. Na fase de pré-projeto, a simulação digital permite avaliar as necessidades energéticas de diversos processos fabris, bem como as emissões de CO2 e/ou poluentes. Acima de tudo, permite identificar possíveis fontes de ineficiência e formas de otimizar o consumo de recursos. Hoje, é uma ferramenta muito vantajosa para novas instalações, especialmente na indústria pesada. Permite aos operadores investir em equipamentos de alto desempenho, automatizar fases industriais sensíveis e controlar melhor o ciclo de materiais.
Em unidades fabris existentes, a instalação de sensores de medição é, sem dúvida, um dos primeiros passos para reduzir o impacto ambiental. Os dados coletados oferecem uma oportunidade real de obter uma visão precisa, ao longo do tempo, dos níveis de consumo e emissão associados a uma oficina, escritórios, máquinas, etc. O monitoramento semanal ou mensal é, finalmente, sinônimo de melhor uso de energia e pode levar a ações simples e econômicas (mudanças de hábitos, melhores práticas) e/ou identificar investimentos a serem feitos.
Entre os investimentos com alto potencial está o controle digital remoto dos processos de fabricação, que muitas vezes se mostra uma estratégia vencedora. Essa solução é cada vez mais eficaz e segura, tornando-se uma fonte de agilidade para a empresa, além de uma fonte significativa de economia de energia.
Existem outras ferramentas digitais com foco "ecológico" que podem auxiliar na manufatura verde, como softwares de inteligência de negócios. Embora possam ser usados para otimizar custos relacionados a matérias-primas e logística, também podem ajudar as empresas a utilizar, reutilizar e reciclar materiais de forma mais eficiente, além de reduzir o desperdício. Trata-se de uma ferramenta tangível para analisar os fluxos de entrada e saída da fábrica e reduzir, por exemplo, a pegada de carbono associada ao transporte de mercadorias.
Por fim, as ferramentas de manutenção preditiva são essenciais para a ecologização da manufatura. Melhor manutenção e melhor gestão significam maior durabilidade dos equipamentos. Mais uma vez, além de gerar um benefício financeiro, essas ferramentas tornam as empresas mais responsáveis, pois reduzem a frequência com que substituem máquinas cuja produção frequentemente consome muitos recursos (metais, plásticos, energia, água, etc.).
Obviamente, as próprias tecnologias digitais têm impactos que não devem ser ignorados. Nas fases de fabricação e fim de vida útil, os equipamentos consomem mais energia e recursos. Durante a fase operacional, dispositivos e sensores digitais também consomem energia. No entanto, quando usados corretamente, a economia ambiental e energética supera seus impactos. Independentemente disso, esses equipamentos também devem ser bem conservados para evitar a necessidade de substituição com muita frequência.
“Devemos construir uma cultura compartilhada que faça a ponte entre a engenharia digital e a engenharia ambiental”
Para uma transição bem-sucedida para um setor industrial menos prejudicial ao meio ambiente, precisamos construir uma cultura compartilhada que una a engenharia digital à engenharia ambiental. Como a Next Generation Internet Foundation (FING) lembrou aos leitores em seu roteiro para um futuro digital e ecológico, isso é um pré-requisito para que a fábrica do futuro possa "aproveitar a modularidade e a agilidade da inovação digital, ao mesmo tempo em que se posiciona como um elo essencial na transição ecológica".
Quando for realmente 4.0, a indústria se tornará mais eficiente e mais econômica e, portanto, mais responsável.